Bernal: alvo de críticas no PP
O PP vive dias turbulentos em Mato Grosso do Sul. Tudo porque membros considerados da “velha guarda” da legenda não concordam com uma política que avaliam como centralizadora e focada em interesses estritamente pessoais tocada pelo atual presidente da comissão provisória regional do partido, deputado Alcides Bernal.
O parlamentar assumiu recentemente o PP regional aproveitando o vácuo que surgiu com a destituição do então presidente da comissão, ex-deputado federal Antonio Cruz, que viu seu poderio político-eleitoral ser enfraquecido depois das eleições de 2010, quando foi reprovado nas urnas na tentativa da reeleição. Diante disso, o ex-parlamentar perdeu espaço na sigla e, mais recentemente, resolveu migrar para o PMDB.
Além de ser acusado de centralizador, Bernal, segundo os membros antigos do PP que têm entrado em rota de colisão com o deputado, estaria restringindo a participação desses progressistas em decisões estratégicas da legenda, como os rumos que o partido tomará nas eleições municipais do próximo ano, por exemplo.
Outra reclamação da ala do PP descontente com Bernal é com a forma como o atual presidente da comissão provisória operou para distribuir os cargos dentro da nova composição da executiva estadual da sigla. Ele é acusado de indicar para a Executiva pessoas sem registro de filiação no partido, o que seria ilegal.
Bernal também é apontado, desde que assumiu a comissão, em junho passado, como responsável por um processo que tem descambado numa grande crise interna na legenda, em função de se negar a discutir mudanças que objetivem a união dos progressistas e, consequentemente, a consolidação de um projeto que vise fortalecer politicamente o PP em todo MS.
Um dos membros do PP que tem combatido a forma de atuação de Bernal é o vereador Lídio Nogueira Lopes, da Capital. Recentemente ele criticou a forma centralizadora adotada por Bernal, que, na sua concepção, estaria insistindo em um comportamento que caminha para desagregar o partido no Estado.
Lídio sugeriu que Bernal tem praticado a mesma política centralizadora e com “ranço ditatorial” implementada por longos anos por Antonio Cruz, o que teria contribuído com a queda deste último do comando estadual do PP. “Por conta desse comportamento de Bernal, o PP corre o risco de chegar em 2012 sem quadros para disputar até mesmo as câmaras de vereadores,” advertiu Lídio.
Outras reclamações
As queixas contra Bernal não estão restritas a Lídio e não envolvem apenas questões como a forma de condução do PP. Diversos outros integrantes da sigla reclamam de uma diversidade de outros problemas que cercariam o partido nessa sua nova fase em MS.
Como é o caso do presidente do PP de Campo Grande, Paulo Matos. Recentemente, ele liderou um movimento para obrigar membros do comando nacional do PP a intervirem no comando da legenda em MS.
A ideia seria discutir a crise que atinge o braço regional do Partido Progressista e, ao mesmo tempo, forçar Bernal a agilizar os procedimentos para reestruturar o PP local, com a adoção de políticas que contemplem as mais diversas variantes da legenda, e não somente os anseios particulares do atual dirigente progressista.
Outro membro do PP regional que não concorda com as ações tomadas por Bernal na condução da comissão provisória da legenda é Raimundo Nonato. Secretário-geral do partido até 30 de junho passado, ele se ressente da indiferença com que é tratado por Bernal, desde que esse assumiu a comissão provisória progressista.
“O Bernal entrou no partido pelas minhas mãos, depois de uma reunião de mais de 10 horas em minha casa no dia 30 de setembro de 2008, e agora me vira as costas. Isso é muita ingratidão”, ressaltou Nonato que, inclusive, foi deixado de fora da comissão provisória comandada pelo deputado.
Nonato lembra que a comissão provisória comandada por Bernal está totalmente irregular (ainda não foi registrada e, portanto, não tem valor jurídico) e o partido vem definhando desde que o parlamentar passou a dirigir o partido.
Outro lado
Diante da crise que afeta o comando do PP estadual, recentemente o vereador Lídio Lopes e o presidente da legenda na Capital, Paulo Matos, anunciaram que podem deixar a legenda para se acomodar no PTB. A decisão dos dois tem sido ironizada por Bernal.
“Eles não representam a vontade do grupo. Estão na contramão do que o partido quer”, afirmou Bernal, sobre uma suposta “rebelião” comandada por Lídio e Matos no núcleo do PP no Estado.
Bernal lembrou que tanto Lídio como Matos também têm vínculos muito próximos com o PMDB regional, o que seria um complicador para a permanência dos dois no PP, já que o dirigente progressista prega a independência da legenda do grupo peemedebista. “A saída de Lídio e Matos do PP não significaria uma grande perda para a legenda”, avaliou Bernal.
Fonte: conjnunturaonline
Por: Gilmar Lisboa