Inverno: temporada oficial do vinho - Jornal Correio MS

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06/05/2020

Inverno: temporada oficial do vinho

©DIVULGAÇÃO
É só a temperatura cair que o vinho toma destaque para quem não é tão amante assim dessa iguaria apreciada no mundo inteiro e principalmente para aqueles que apreciam os vinhos em qualquer estação .

Nesse momento que estamos vivendo de quarentena o consumo de bebidas alcoólicas em casa, aumentaram, e o vinho tem sido destaque na mesa de todos para enfrentar o isolamento social. Seja acompanhando uma pizza, bons queijos, uma refeição, vendo um bom filme, com seu amor ou sozinho mesmo. 

O inverno é, geralmente, a estação preferida para os amantes de vinho. Isso porque a bebida combina com esta época do ano e suas atividades típicas. Diferente das estações anteriores, em que eram indicadas opções mais suaves de vinho, agora chegou a vez dos encorpados.

Vinhos tintos combinam com os pratos e atividades típicas de inverno e trazem alguns benefícios. Dentre eles, dois se destacam: o aquecimento do corpo e auxílio à saúde.

Empiricamente todo mundo sabe que o vinho aquece. Essa sensação é causada por conta do álcool presente na bebida, que funciona como vasodilatador, fazendo com que o sangue flua mais facilmente, o que ajuda na perda de calor e causa a sensação de aquecimento.

Que vinho em uma determinada quantidade faz bem à saúde é conhecido, mas essa máxima é ainda mais verdadeira no inverno. Por ser rico em polifenóis, um dos benefícios do vinho é a melhora do sistema imunológico. Nesta época do ano, isso é especialmente importante uma vez que com as temperaturas mais frias é comum que a imunidade baixe.

VINHO: QUANTO MAIS VELHO MELHOR? 

Uma passagem pelo evangelho de Lucas diz que: “ninguém que bebeu do vinho velho, quer já do novo, porque diz: ‘o vinho velho é melhor’”. Bom, a elaboração de vinhos é uma prática milenar. Esse trecho nos ajuda a entender um pouco do porquê essa ideia de “quanto mais velho melhor” ficou tão enraizada no nosso pensamento ao longo da história, mas saibam que isso é um mito! Vamos entender melhor:

O vinho, assim como os seres humanos, possui uma espécie de “ciclo de vida”, ou seja, ele tem infância, juventude, alcança a maturidade, chega na velhice e depois “morre” (ou oxida). 

O ideal seria degustar o rótulo na sua maturidade, que é quando o líquido tende a expressar o equilíbrio perfeito entre os taninos e o leque de aromas que possui – mas isso não é uma regra rígida, afinal, cada vinho tem um ponto de maturidade ideal e diferente.

Uma das influências nesse “ponto de maturidade ideal” é a quantidade de taninos perceptível no líquido, uma vez que eles são protagonistas de uma reação química que acontece naturalmente na maturação e diminui aquela sensação de “amarração na boca” características rótulos tânicos, que geralmente são vinhos tintos, secos e encorpados.

Conforme o tempo passa e essa reação acontece, o efeito de “amarrar a boca” se reduz gradativamente, e isso faz com que os vinhos que têm alto potencial de guarda talvez necessitem de um tempo maior para atingir esse apogeu.

IMPORTANTE: a relação entre a idade de um vinho e sua qualidade também é um mito! Inclusive, é muito importante saber armazenar os seus rótulos para que a degustação seja sem erro! 

Como vimos, um vinho em seu estado ideal de maturidade tem os taninos e seu buquê de aromas mais valorizados e evidentes – e é por isso que saber a idade do vinho e sua maturação traz uma chance maior de apreciar a bebida no auge de sua complexidade.

Acontece que nem sempre os vinhos trazem no rótulo do verso uma indicação de “validade” ou ponto de maturação, mas muitas vezes eles indicam a safra do vinho. E aí, o que fazer com essa informação? Vamos ver!

ENTENDENDO MELHOR AS SAFRAS DE VINHO

A safra nada mais é do que a indicação do ano de colheita da uva que está presente no vinho.

Existem vinhos que são engarrafados e comercializados pouco tempo depois da colheita, então pode ser que você consuma um vinho do ano vigente ou do ano anterior ao rótulo, por exemplo: tomar um vinho do ano de 2019 em 2019 ou em 2020 – mas nem sempre isso é comum.

Acontece que, ao longo das práticas de cultivo das uvas e elaboração dos vinhos, os produtores foram percebendo que mesmo que um líquido fosse elaborado a partir da mesma uva e tivesse o mesmo processo de engarrafamento, ainda assim havia diferenças entre eles de ano para ano. Isso se deve a dois elementos principais: clima e terroir

A vinha, sendo uma planta que geralmente é de um ciclo anual, corresponde a todas as variações climáticas que acontecem durante os 365 ou 366 dias do ano. E vamos ser sinceros? Dificilmente os anos serão climaticamente iguais, e isso influencia diretamente nos frutos.

Por esse mesmo motivo existem alguns vinhos que não possuem safra em seu rótulo. Isso não significa que o vinho “não tem ano”, e sim, que para o produtor, o interessante é o “estilo do vinho” – e por isso eles podem vir a combinar mais de uma safra em um mesmo vinho, o que pode, inclusive, auxiliar no alcance de equilíbrio entre aromas e sabores.

IMPORTANTE: em muitos países, não é necessário que todas as uvas que compõem o vinho tenham sido colhidas no ano indicado e cada local pode ter uma regra específica. Por exemplo: para os Estados Unidos, é preciso que 95% das uvas sejam do ano indicado para que o mesmo apareça no rótulo; 75% no Chile, e assim por diante.

RESUMIDAMENTE…

Os vinhos tintos jovens e frutados podem ser guardados de 1 a 3 anos, a depender de sua safra. Os barricados, “de reserva” ou fortificados podem ser guardados de 3 a 7 anos. 

Já os vinhos rosados (ou rosé) podem ser conservados de 1 a 3 anos, no máximo. Os vinhos brancos frutados e leves geralmente possuem esse mesmo “prazo” (1 a 3 anos), enquanto os vinhos brancos barricados ou “de reserva” de 3 a 6 anos e os brancos fortificados de 4 a 8 anos.

Por fim, quanto aos espumantes sem safra, branco ou rosé, Prosecco Cava simples: no máximo de 1 a 3 anos.





Por: Maria Goreti 

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