| Elizeu Gonçalves Muchon – professor e jornalista - Foto: Divulgação |
Comparando a um jogo de futebol – guardado as devidas proporções – o governo de o presidente Temer, vinha marcando alguns gols importantes, como: a recuperação gradual da economia com o Meirelles, a moralização da Petrobras com Pedro Parente, que estancou a sangria da corrupção esboçando uma boa gestão, a eficácia de Maria Silvia no BNDES ( que acaba de deixar o governo alegando isolamento, pressão de empresários para liberar financiamento e ações de investigações da PF no BNDES) e a competência do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, sobretudo no controle da inflação. Nesse batidão, o time do Temer dava sinais de que faria uma boa temporada no “campeonato”.
De repente, o pacote de delações do JBS abateu a equipe. É como se o jogo fosse transferido para altitude. Os jogadores cansaram, faltou oxigênio. O médico da equipe foi logo avisando que a altitude exige uma adaptação, pois só com a adaptação poderá aumentar a quantidade de glóbulos vermelhos no sangue, os quais terão a função de captar oxigênio e dar sobrevida física aos atletas.
Sem alternativa, o “técnico” Temer, compactou a defesa e recuou o meio campo. Medida que pareceu inútil, porque surgiu outro obstáculo. O homem da mala (não sei se é a mala preta), mas é uma mala com R$ 500 mil, que de repente faltou R$ 35 mil. Esse homem – Rodrigo Rocha Loures – amigo do peito de Temer, pode se transformar em homem bomba, algoz e pode efetivamente jogar a última pá de cal nos planos do técnico Temer e sua equipe já combalida.
Para piorar, tem ainda o julgamento do TSE marcado para o dia 6. Antes do efeito JBS, tudo apontava para uma absolvição de Temer no julgamento da chapa Dilma/Temer, pois os ministros tinham uma leitura mais atenuada dos fatos relacionados ao presidente para não conturbar uma administração que começava a exibir resultados positivos, agora o cenário é outro.
Para quem está afundando um jacaré parece um tronco. Nessa condição de fragilidade, Temer encolhe cada vez mais a defesa, recua o meio campo e assiste as negociações da formação de um governo de coalizão, por meio de personagem conhecidos de todos nós. Neste contexto vale atentar para o fato de que ninguém escapa da pedrada de doido e de coice de burro. O fato é que Temer não tem para onde correr diante de tantas evidências de envolvimento em corrupção, porém é preciso reconhecer que seu governo estava dando certo. Falo de algo muitíssimo melhor do que o desastre chamado Dilma Rousseff.
Começa a temporada de caça a um “honesto” para ser presidente da República, espero que encontre, caso contrário é melhor deixar o Temer.
Elizeu Gonçalves Muchon – professor e jornalista
elizeumuchon@hotmail.com