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Custos do trabalho cada vez mais elevados, produtividade estagnada e insegurança jurídica, alguns aspectos considerados desafiadores para os empregadores e que foram abordados durante o Fórum RH Indústria 2015, realizado pelo IEL e CRT (Conselho Temático Permanente de Relações do Trabalho) da Fiems, nesta quinta-feira (10/09), no auditório do Sesi em Dourados.
O especialista em políticas e indústrias da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Pablo Rolim Carneiro, destacou que esses aspectos compõem o resumo do cenário trabalhista brasileiro. No período de 2001 a 2011 o custo do trabalho em dólar no Brasil aumentou 101,7%, ao passo que a produtividade cresceu 3, 7% no mesmo período.
“Sendo assim temos um fenômeno que gera um gargalo em termos de sustentabilidade e verificamos a contribuição da legislação trabalhista para este cenário. Custos do trabalho, produtividade e segurança jurídica são condições para a competitividade das empresas”, declarou Pablo Carneiro.
Para reverter o cenário ou mesmo amenizar os impactos, ele acredita que é preciso buscar ações tanto no ambiente tanto externo, como interno. “Estes são os desafios atuais, por isso a realização de eventos como este fórum são importantes, para que possamos trazer esta reflexão aos empresários e eles possam pensar estratégias para reduzir custos e aumentar a produtividade”, pontuou.
Custo do trabalho
Várias questões impactam no custo do trabalho, desde tributos até mesmo afastamentos do trabalhador, o que também impacta na produtividade. Conhecer a realidade da empresa e fazer a gestão dos documentos de cada trabalhador é uma solução para reduzir custos e aumentar a produtividade.
Nesse sentido, o Sesi oferece a solução Gestão Sesi em SST, por meio do qual o empresário consegue visualizar e acompanhar toda a realidade empresarial. Esse acompanhamento também prepara a empresa para a implantação do E-Social, que entra em vigor a partir de setembro de 2016 e que vai fazer a unificação do envio dos dados trabalhistas, previdenciários e fiscais.
“É um trabalho que visa reduzir os indicadores impactantes na folha de pagamento, como acidentes de trabalhado, afastamento por doenças do trabalho e aposentadoria por invalidez, além de indicadores que impactam e na produtividade dos trabalhadores”, disse o enfermeiro do Trabalho do Sesi, Evandro de Souza Ramos.
Para o superintendente do IEL, José Fernando Gomes do Amaral, a composição de práticas na empresa é de extrema importância para aumentar a produtividade. “Então de um lado vemos que o Sistema Industria tem preocupação com ações mais abrangentes com intuito de reverter o quadro atual no qual se fazem presentes altos custos e fiscalizações excessivas, e de outro o que internamente, dentro das empresas, pode ser feito. Fóruns como este permite às indústrias olharem para dentro, o que elas podem fazer “, declarou.
O superintendente do Sesi Bergson Amarilla, destacou que no contexto atual uma medida importante é que o empresário entenda cada indicador, cada custo referente ao trabalhador. Ele apontou que essa é a intenção do Sesi ao propor a Gestão em SST. “O intuito é que em um ano a indústria que aderir ao trabalho consiga reverter os indicadores negativos e fazemos isso junto com empresa acompanhando cada ação. Assim, a empresa que a adere ao trabalho tem menos custos e menos afastamentos, criando um ambiente que favorece a competitividade. Essa é a nossa defesa para a indústria”, disse.
Cases
Boas práticas em gestão de pessoas adotadas pelas empresas também podem contribuir para a melhoria do ambiente do trabalho, redução de custos e fidelização do trabalhador. Na Inflex são desenvolvidas várias ações que promovem também a integração dos funcionários, como o projeto Carona Legal, no qual quem possui veículo de transporte recebe um aporte da empresa para dar carona aos colegas. No total, 50 trabalhadores estão envolvidos, entre os que possuem o veículo e os ‘caroneiros’.
Ali os trabalhadores também são bonificados por redução de perdas de aparas plásticas, quanto mais se aproveita do produto mais isso se reverte financeiramente para o trabalhador. A empresa também adota o crédito emergencial, que o trabalhador pode solicitar e funciona como uma antecipação de no máximo R$ 300, que serão pagos em duas parcelas.
“A empresa tem 26 anos e de 15 anos para cá desenvolve ações para melhorar a satisfação dos trabalhadores. Com isso conseguimos algo muito importante, que é fidelizar o trabalhador. Hoje temos cerca de 50 funcionários com mais de 10 anos de empresa e 80 trabalhadores na faixa de 5 a 10 anos de empresa”, disse o diretor administrativo da Inflex, Cesar Augusto Scheide. A Inflex conta hoje com 230 trabalhadores.
Outra prática de gestão de pessoas apresentada no Fórum está ligada à formação e desenvolvimento de pessoas. Segundo o assessor de gestão de pessoas do Sicredi Centro-Sul MS, Diego Souza, as ações contribuem para reduzir a rotatividade e o colaborador trabalha motivado, pois sabe que tem chances de crescer na empresa.
“Nós desenvolvemos duas práticas bem interessantes que é um programa de formação na área de negócios e outro para formação a área de suporte e administrativo. Essas ações buscam o autodesenvolvimento e crescimento do colaborador para que possa atender também o crescimento do Sicredi na região”, disse. Ele destacou que existe a cultura de um plano de crescimento que estimula as pessoas a crescerem dentro da empresa, de forma que assumem os cargos de gestão pessoas que já estão na empresa. “Temos pessoas que começaram no estágio e hoje estão em algum cargo de gestão”, disse. O resultado dessas ações foi a redução da rotatividade.
Para a auxiliar administrativo Daiane da Silva Bezerra, que atua no Departamento de pessoal da ABV Comércio de Alimentos, o Fórum reuniu todas as informações necessárias para que os participantes possam pensa em ações que estimulem os trabalhadores e que evitem aumento de custos. “Foi um evento muito esclarecedor, obtivemos informações sobre as leis, pudemos ter um panorama sobre como está o cenário no Brasil e pudemos conhecer também as práticas adotadas por algumas empresas para motivar os trabalhadores e evitar a rotatividade. Valeu a pena ter participado”, disse.
O gerente de recursos humanos da Donana, Hilton Armond Júnior, compartilha da mesma opinião e disse que é importante pensar no que se pode fazer para reduzir a rotatividade e fidelizar o trabalhador. “Existem questões que nós podemos melhorar, então temos de buscar essas alternativas por isso foi importante conhecer as práticas das empresas. Além disso, consegui importantes esclarecimentos sobre a legislação. Foi uma manhã muito proveitosa, como já estamos pensando em ações de melhoria na empresa, as informações obtidas aqui serão importantes”, disse.
Fonte: ASSECOM/FIEMS
Por: Daniel Pedra

