Surto de vaca louca em Mato Grosso é descartado - Jornal Correio MS

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12/05/2014

Surto de vaca louca em Mato Grosso é descartado


A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, na sigla em inglês) confirmou como “atípico” o caso de encefalopatia espongiforme bovina (EEB) no frigorífico da JBS, dona da marca Friboi, em Mato Grosso. Isso afasta a hipótese de o animal ter contraído a doença pela ingestão de alimento e um surto no País.

O resultado foi divulgado pelo Ministério da Agricultura. Em nota, ele também ressaltou que não houve “diagnóstico conclusivo que possa ser usado para classificá-lo de forma inequívoca até o momento”. Ou seja, a OIE não conseguiu identificar a origem da doença e optou por respaldar os exames feitos pelo laboratório da rede estatal Lanagro, em Recife.

O laboratório brasileiro classificou o caso como atípico devido ao fato de o animal não ter desenvolvido a doença nem ter morrido por causa dela. O Lanagro detectou que uma deficiência na formação de proteína, a chamada marcação priônica, se desenvolveu por causa da idade avançada do animal – ela ocorre normalmente em bovinos acima de dez anos, por causa do envelhecimento das células. A vaca nelore tinha 12 anos. O caso clássico da doença ocorre em rebanhos mais jovens, de até 7 anos, que é a média de idade-limite dos animais comercializados no mercado. Nesses casos, a enfermidade pode ser causada pela alimentação à base de farinha de osso e carne.

O bovino fazia parte de um lote de 50 cabeças, com idades de 11 a 12 anos, enviado pela Talismã à JBS-Friboi. O animal estava pronto para abate quando uma equipe de inspeção sanitária do Departamento de Saúde Animal (DSA) do ministério, em visita de rotina no local, constatou que ele estava caído por fraqueza muscular típica de doença neurológica como a vaca louca.

O ministério conduziu investigação em 11 propriedades na região. Inspecionou cerca de 4 mil animais e 49 foram abatidos e incinerados porque tiveram contato com a fêmea suspeita.

A divulgação do caso levou o Peru a suspender a importação de carne brasileira. Fontes do setor afirmam que Irã e Egito também impuseram embargo temendo o mal da vaca louca. Em sua nota, o ministério frisa que o Comitê Veterinário Permanente do Cone Sul elogiou a rapidez e a transparência do serviço sanitário brasileiro, ressaltando que as ações adotadas serão bem avaliadas pela comunidade internacional.