Cheia na Serra do Amolar e a fragilidade de sistemas de alerta no Pantanal - comprometem a sustentabilidade da economia e afetam as populações mais vulneráveis. - Jornal Correio MS

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28/04/2014

Cheia na Serra do Amolar e a fragilidade de sistemas de alerta no Pantanal - comprometem a sustentabilidade da economia e afetam as populações mais vulneráveis.


Comunidades tradicionais e ribeirinhos da Serra do Amolar, região do Pantanal localizada ao norte da cidade de Corumbá (MS), sofrem desde a segunda semana de abril os efeitos de um grande aumento do nível do rio Paraguai. Casas foram tomadas pelas águas e o peixe, seu alimento básico, não pode mais ser pescado devido a inundação de extensas áreas. 


A possibilidade de evento dessa intensidade foi visualizada pela Ecoa a partir das grandes chuvas ocorridas mais ao norte e nordeste da bacia do Alto Paraguai (BAP) no mês de fevereiro, determinando o aumento do nível do rio Paraguai na região de Cáceres (MT) e do rio Cuiabá em Cuiabá (MT). Com este quadro a organização decidiu fazer um monitoramento diário do andamento hidrológico a montante da confluência dos dois rios  o encontro se dá nas proximidades da Serra  estruturando uma “sala de situação”. 



Esse processo tomou por base o que segue: 

a) - A experiência com os efeitos de grandes cheias sobre algumas regiões 
no Pantanal. 

b) - Contatos diários com membros da Coordenação das Comunidades Tradicionais do Pantanal Tradicionais (CCTP) em diferentes regiões e mais especificamente com famílias da região da Serra do Amolar. 

c) – Discussões com pesquisadores. 

d) - Informações da imprensa no estado de Mato Grosso e 

e) - Dados disponibilizados por órgãos oficiais. 

Com relação ao último item os dados divulgados pela Marinha do Brasil 
diariamente na internet sobre os níveis dos dois rios citados anteriormente, 
em 6 pontos, e os gráficos dos últimos 5 anos foram fundamentais para entender o que ocorreria. Já na segunda semana de março foram feitos alertas preventivos para as comunidades da Barra do São Lourenço (22 famílias) e Paraguai Mirim / São Francisco (45 famílias). 

Também foi realizada uma reunião em Brasília para discutir a situação com a Agencia Nacional de Águas (ANA). Neste momento não se tinha ainda elementos para diagnósticos seguros sobre o cenário em desenvolvimento e, por isso, não foi feita uma divulgação mais ampla da possibilidade de cheia. Algum tempo depois, quando se configura a possibilidade de ter-se o quadro agora consolidado águas invadindo casas e falta de pescado , medidas mais concretas tomadas, dentre elas: 

Transportar desde Corumbá até a comunidade da Barra do rio São Lourenço de mil palanques de aroeira  doados pela Receita Federal  para que as famílias pudessem erguer palafitas.  Envio de oficio para a responsável pela Sala de Situação em Mato Grosso do Sul - “funcionam como centros de gestão de situações críticas”, segundo a ANA, senhora Elizabeth Arndt. 

Ela, porém, nos informa que a referida “Sala” ainda não estava estruturada oficialmente, não podendo, portanto, lançar “alertas”, mas que comunicaria a ANA em Brasília para que eles tomassem providências. Não o fizeram por razões limitações que buscaremos entender. 

Recorrer diretamente ao senhor Paulo Duarte, prefeito de Corumbá, solicitando medidas de apoio para as famílias. Temos informações que providências estão em andamento. Em todo o processo tínhamos adiante uma “operação de guerra”, emergencial, e tratamos de buscar meios para prevenir e mitigar danos causados pela subida das águas  envio das madeiras, por exemplo e em razão disso não foi possível fazer um planejamento completo em todas as frentes, como agora julgamos que seria necessário.

Conclusões.  Os sistemas existentes para captação de dados, análise e diagnósticos sobre o clima no Pantanal e os desenvolvimentos de processos correlatos são ineficientes e falhos. 

Um exemplo disso são os dados do CPRM, os quais são atualizados apenas semanalmente e com falhas graves, como mostra o texto sobre o Porto São Francisco, na região da Serra do Amolar: 

“Em virtude da falta de dados não foi possível fazer a previsão”. Já a Marinha do Brasil e seu Serviço de Sinalização Náutica do Oeste, com atualização diária e gráficos de anos anteriores de 5 pontos do rio Paraguai e um do Cuiabá, mostrou que modelos simples e eficientes podem ser desenvolvidos. 

Além da correção dos problemas é necessário oferecer acesso público 
a dados diários de todas as estações de captura de dados existentes e em tempo real.

Fonte: Ecoa