Comissão apura irregularidades no setor de oncologia em Campo Grande.
Relatório final será encaminhado ao MPE, MPF, CGU e UFMS
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| Relatórios foram encaminhados a vários órgãos fiscalizadores (Foto: Nadyenka Castro/ G1 MS) |
Vereadores integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde recomendou o indiciamento do ex-diretor do Hospital do Câncer (HC), Adalberto Siufi, do ex-diretor do Hospital Universitário (HU), José Carlos Dorsa, da médica aposentada Eva Glória Siufi do Amaral e dos ex-presidentes do conselho curador do HC Blener Zan e Luiz Felipe Terrazas.
O relatório final da CPI com pedidos de indiciamento foi aprovado na tarde desta sexta-feira (20) por três votos a dois. Os contrários foram Marcos Alex (PT) e Cazuza (PP). Eles anexaram voto em separado.
"Sugerimos o indiciamento dos gestores públicos, a partir de 1999. Dos gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos administradores municipais", fala Marcos Alex.
O relatório, com anexo do voto em separado, será encaminhado para os Ministérios Públicos Estadual (MPE) e Federal (MPF), para o Conselho Regional de Medicina (CRM), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Controladoria-Geral da União (CGU) e mesa diretora da Câmra Municipal.
Segundo a relatora da comissão, vereadora Carla Stephanini (PMDB), a comissão pede o indiciamento de Dorsa porque ele teve conduta que contribuiu para a paralisação do serviço de radioterapia. Entre os indícios de infração está improbidade adminsitrativa passível de ressarcimento.
Já no caso de Eva Glória, que era funcionária da UFMS e passou a prestar serviço para o HC recebendo das duas entidades, a comissão considerou que a saída dela do HU para o HC também contribuiu para a paralisação do serço de radioterapia e trouxe prejuízo aos cofres públicos.
Com relação a Siufi, os vereadores reconhecem a contribuição do médico para o combate ao câncer, mas a CPI apurou que a Neorad, empresa de Siufi terceirizada para os serviços, apropriou-se de maior verba irregular. Ele também teria feito contratação de pessoas próximas sem processo seletivo ou sem divulgação de vagas. “Houve intenção deliberada de concentração de poder na família Siufi”, disse a relatora.
Comissão apura irregularidades no setor de oncologia em Campo Grande. Diante do indício de irregularidade na contratação, a comissão pede que o MP peça ressarcimento.
No relatório, os vereadores propõe ainda 25 sugestões de melhorias para a implementação pela prefeitura para melhorar o serviço de oncologia em Campo Grande. Eles pedem ainda que a UFMS tome providencias em relação ao que foi apurado pela CPI.
CPI
A CPI foi criada para investigar irregularidades no setor de oncologia da capital sul-mato-grossense. Durante os trabalhos foram realizadas 15 oitivas e os trabalhos foram prorrogados por duas vezes.
As irregularidades nos hospitais vieram à tona durante as investigações da Polícia Federal, do Ministério Público e da Controladoria-Geral da União (CGU) na operação Sangue Frio. Documentos fornecidos pelos órgãos também foram analisados pelos vereadores.
Em 2009, uma auditoria do Ministério da Saúde encontrou outras situações ilegais na instituição, como o pagamento para tratar pacientes que já haviam morrido. A suspeita é que o HC tenha monopolizado o tratamento da doença em Campo Grande para beneficiar pessoas e empresas com o desvio de dinheiro público.
Os cinco vereadores que fazem parte da comissão são Flávio César (PT do B) - presidente, Carla Stephanini (PMDB) - relatora, Coringa (PSD), Cazuza (PP) e Marcos Alex (PT).
Do G1 MS
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