Marina filia-se ao PSB e diz que Campos é o candidato - Jornal Correio MS

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05/10/2013

Marina filia-se ao PSB e diz que Campos é o candidato

Ex-senadora filiou-se ao PSB, do governador Eduardo Campos, e deverá ser vice na chapa dele à Presidência da República nas eleições do próximo ano


A ex-senadora Marina Silva confirmou o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) como candidato nas eleições de 2014 - Ueslei Marcelino/Reuters


A exato um ano das eleições presidenciais, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e a ex-senadora Marina Silva formalizaram neste sábado uma união que provoca uma reviravolta no cenário eleitoral de 2014. Com um capital político de 20 milhões de votos, mas sem uma legenda própria, Marina aceitou se filiar ao PSB de Campos. Ela deverá ser vice na chapa dele ao Palácio do Planalto, mas, oficialmente, essa decisão só será tomada no ano que vem.

"O PSB já tem um candidato que está posto", disse Marina em seu discurso. Mais tarde, em entrevista coletiva, afirmou que apoiará a candidatura dele, mas tergiversou quando questionada diretamente se será a vice: “Não sou uma militante do PSB, sou militante da Rede Sustentabilidade, e a Rede ainda não fez essa discussão de se vai ter vice ou não vai ter vice. O PSB já fez sua discussão e tem um candidato”.

A coalizão nasce com o propósito de tentar viabilizar uma “terceira via” à polarização entre PT e PSDB, que dominam a disputa nacional desde 1994. Tanto Campos quanto Marina são ex-ministros do governo Lula. Ambos saíram fortalecidos das eleições de 2010: ele foi reeleito governador com expressivos 82% dos votos e viu seu PSB ganhar musculatura no Congresso Nacional. Já Marina saiu das urnas com 19,33% dos votos válidos para a Presidência da República. Em seus discursos na tarde de hoje, os dois repisaram o mesmo bordão: "Vamos acabar com a velha política".

"Estamos quebrando uma falsa polarização que precisa ser quebrada na política brasileira", disse Campos. “Quem quis nos colocar fora do processo, hoje está refazendo as contas.”

Rede - A decisão de Marina em aderir ao PSB foi costurada após sucessivas reuniões nas últimas 48 horas, depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou o registro partidário para a Rede Sustentabilidade, idealizada por ela disputar o Palácio do Planalto. Em sete meses, a nova sigla não conseguiu reunir 492.000 assinaturas validadas em cartórios eleitorais para obter o registro, conforme determina a legislação. Hoje, Marina fez questão de disparar contra a Justiça Eleitoral: “Somos o primeiro partido clandestino criado em plena democracia”.

"A derrota ou a vitória só se mede na história. Apressam-se aqueles que pensam que a história se resume em uma canetada". disse ela.

Com a Rede fora das urnas em 2014, Marina teve de buscar uma legenda para não correr o risco de perder seu capital político. Recebeu convites de sete siglas, como o PPS e o nanico Partido Ecológico Nacional (PEN). Mas optou por unir forças com Campos e firmar um documento que assegurasse a “integridade partidária” das duas siglas e disse que seguirá como "porta-voz da Rede". "Se não é possível um novo caminho, há que se aprender uma nova maneira de caminhar", afirmou.

"O compromisso dessa coligação programática é de manter as conquistas, reparar os erros e enfrentar os novos desafios. É o começo de uma caminhada. Vamos aprofundar nossos programas, mas com certeza isso não é a Marina entrando em um partido para conseguir uma legenda para ser candidata. É a Marina entrando em um partido para chancelar o programa da Rede e, na discussão democrática, adensar o programa de uma candidatura que já está posta."

Plano C - Em sua fala, Marina chamou a escolha pelo PSB de "plano C". "Todos me perguntavam de plano B, mas nunca perguntavam de plano C. Qual é o plano C? Eu só tinha a letra. O plano C é o Eduardo Campos, é o PSB, porque é um partido histórico, com bandeiras históricas. No dia da criação da Rede, ele [Eduardo Campos] nos mandou uma carta de reconhecimento assinada pelo seu presidente talvez antecipando esse momento que só Deus sabia."

Ela também fez questão de frisar que possui "diferenças" com Campos, mas disse que ambos "estão sendo cassados" no cenário político brasileiro. Sem citar o PT, atacou "aqueles que privatizam o estado para os partidos”. "Temos um governador que trabalha para viabilizar sua candidatura legítima a Presidência, que trabalha a duras penas de não ser cassado de forma diferente da minha, sendo minado."

Campos também citou em seu discurso a onda de manifestações que chacoalhou o país em junho. "Quem entendeu o que aconteceu em junho não tem nenhuma dificuldade de entender o que acontece aqui hoje", disse.

A trajetória de Marina Silva


Do Acre a Brasília, a busca por uma candidatura à Presidência da República

Marina em 1994

Nascida em 1958 na comunidade Seringal Bagaço, zona rural de Rio Branco (AC), a historiadora Marina Silva foi companheira de luta do líder sindical e ambientalista Chico Mendes. Então católica, Marina ajudou a fundar, ao lado de Mendes, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Acre, em 1984. Iniciou a carreira política filiada ao PT, em 1986, quanto tentou se eleger deputada federal. Ela seria eleita apenas em 1988, como vereadora, pelo partido em Rio Branco.

Marina discursa na tribuna do Senado Federal


Eleita para o Senado Federal pela primeira vez em 1994, Marina adotou bandeiras em defesa do meio ambiente, da redução na emissão de gases do efeito estufa. Também atuou como parlamentar pelo desenvolvimento das regiões Norte e Nordeste do Brasil, sobretudo da Amazônia. Em 2002, Marina seria reeleita para mais oito anos de mandato. Mas interrompeu a trajetória no parlamento para assumir um ministério no governo Lula.

Lula convidou Marina para a chefia do Meio Ambiente

A convite do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marina assumiu o Ministério do Meio Ambiente no primeiro ano do governo petista. Ela seria mantida no cargo na reeleição de Lula em 2006, mas enfrentava conflitos constantes com a Casa Civil, sob a batuta da então ministra Dilma Rousseff. Os embates internos eram motivados pela concessão de licenças ambientais para projetos de usinas hidroelétricas. As rusgas na Esplanada dos Ministérios levaram Marina a pedir demissão em 2008 e voltar para o Congresso Nacional.

Marina filia-se aos verdes para disputar a Presidência

Os desentendimentos no Ministério do Meio Ambiente e a política de desenvolvimento do governo Lula continuaram a desagradar Marina Silva. Em agosto de 2009, ela deixaria o PT por não concordar com a falta de apoio do governo petista para questões socioambientais. Onze dias depois, ela filiou-se ao Partido Verde (PV) e negociou sua candidatura à Presidência da República.

A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva foi a surpresa das eleições presidenciais de 2010. Concorrendo pelo PV, Marina fez uma campanha com comitês populares e apostou na participação da internet. Obteve o terceiro lugar na disputa e o expressivo resultado de 19,6 milhões de votos (19,33% dos válidos). O desempenho de Marina forçou a decisão a ir para o segundo turno, entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Ela se manteve neutra e não declarou apoio a nenhum dos candidatos.

Marina faz périplo pelos tribunais em Brasília para obter o registro partidário


Após as eleições presidenciais, Marina entra em conflito com a direção nacional do PV. Ela deixa o partido em julho de 2011 e lança as bases do movimento "sonhático" por uma nova política. Marina arrastaria consigo o apoio do senador Alfredo Sirkis (PV-RJ) e do empresário Guilherme Leal (candidato a vice na chapa do PV em 2010). Sem partido, Marina passa a fazer palestras pelo Brasil e a agregar adeptos para fundar a Rede Sustentabilidade. Em fevereiro de 2013, ela oficializa a criação da Rede ao lado de militantes, empresários e políticos do PV, PSOL, PT e PSDB, entre outros. A Rede começa a coleta das cerca de 492 000 assinaturas de apoio para que o partido seja registrado e possa concorrer nas eleições de 2014. O Ministério Público Eleitoral e a Justiça Eleitoral consideram, no entanto, que a Rede não atingiu o número exigido.



Fonte: Veja
Por: Laryssa Borges, de Brasília