Siufi é um dos que podem ter bens bloqueados pela Justiça em MS.
Advogado do médico disse que não teve acesso ao pedido do MPE.
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| Adalberto Siufi |
O ex-diretor do Hospital do Câncer (HC) em Campo Grande, Adalberto Siufi, pode, junto com outros ex-diretores do Hospital do Câncer, ter os bens bloqueados pela Justiça. Novos trechos de escutas telefônicas, gravadas pela Polícia Federal com autorização da Justiça durante a Operação Sangue Frio, mostram como o médico negociava a compra de imóveis. O advogado dele, Renê Siufi, não comentou o assunto porque, segundo ele, não teve acesso ao pedido de indisponibilidade.
Em uma conversa mantida com um corretor, Siufi não se interessava em conhecer o imóvel que estava negociando.
Siufi: Quanto que é a pedida aqui, hein?
Corretor: A pedida é 380 (mil reais).
Siufi: Eu tenho interesse, viu. Amanhã eu vou lhe telefonar cedo.
Siufi: Não. Não quero nem ver! Mas eu lhe telefone amanhã ao redor do meio-dia.
Em um dos relatórios da PF, os analistas afirmam que o ex-diretor tratava o HC como uma empresa familiar. O texto destaca a preocupação dos investigadores ao ouvirem outra escuta onde Siufi pede que Betina Siufi, filha dele e ex-administradora do hospital, providenciasse funcionários da unidade para fazer a limpeza de um apartamento da família.
Siufi: Mas eu não quero que venha aqui nenhum carro do hospital. Se vier aqui, tem de ser carro extra. Tem que arrumar um caminhão, sei lá, porque os móveis têm que descer para a garagem. A limpeza geral... precisava vir logo.
Montante
Os bens dos ex-diretores da Fundação Carmem Prudente e dos investigados somam cerca de 150, entre prédios, casas, apartamentos, terrenos, chácaras e veículos de luxo. O Ministério Público Estadual pediu a indisponibilidade após denúncias de que os investigados os estavam vendendo.
Parte da ação é fundamentada pelo resultado de uma auditoria contratada pelos novos diretores do hospital. O relatório apontou várias irregularidades no controle dos gastos, em relatórios contábeis, faturamento, estoques, saldo de caixa e empréstimos teriam sido feitos por pessoas não autorizadas. Além disso, foram identificadas suspeitas de superfaturamento na compra de medicamentos e serviços prestados por empresas terceirizadas.
A auditoria apontou ainda suspeitas de superfaturamento na compra de dois terrenos ao lado do hospital. Em um deles está sendo construído um prédio de nove andares para a ampliação do atendimento aos pacientes com câncer.
Os terrenos pertenciam a uma empresa de autopeças e foram comprados pelo HC em maio de 2010. De acordo com os auditores, o valor do negócio foi de R$ 9,2 milhões, porém um levantamento feito pela câmara de valores imobiliários constatou que na época da transação, os lotes estavam avaliados em R$ 7,1 milhões, portanto as áreas foram adquiridas pelo hospital por um valor 23% acima do preço de mercado.
Do G1 MS
