Prefeitura de Campo Grande e MPE investigam ex-presidente da Câmara - Jornal Correio MS

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21/08/2013

Prefeitura de Campo Grande e MPE investigam ex-presidente da Câmara

Siufi Neto teria cometido irregularidades como pediatra da rede pública.
Vereador alega que não era privilegiado com o cargo em posto de saúde.



Sindicância constatou que Paulo Siufi Neto não cumpria carga horária (Foto: Reprodução/TV Morena)

A Prefeitura de Campo Grande está investigando o trabalho de 80 servidores municipais suspeitos de irregularidades no cumprimento da carga horária. Reportagem do Bom Dia MS desta quarta-feira (21) mostrou que uma das sindicâncias foi concluída este mês e se refere ao médico e vereador Paulo Siufi Neto (PMDB), ex-presidente da Câmara Municipal.


O Ministério Público Estadual (MPE), por meio da 30ª Promotoria de Patrimônio Público e Social, abriu inquérito para investigar a conduta do parlamentar como pediatra em uma unidade de saúde. O órgão já notificou o Siufi Neto, que tem prazo de 15 dias para responder aos questionamentos.

A Procuradoria-Geral do Município confirmou a abertura de um processo administrativo disciplinar para comprovar as irregularidades. A sindicância constatou que Siufi Neto não cumpria a carga horária prevista em contrato para atendimento como pediatra na rede de pública de saúde. Desde 1991, estava lotado na unidade básica Manoel Cordeiro, no distrito de Aguão, região norte de Campo Grande.

Os documentos reunidos na sindicância se referem aos últimos cinco anos de trabalho do pediatra e revelaram que ele cumpriu apenas um quarto da jornada de trabalho de 20 horas semanais previstas no contrato com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).

As folhas de frequência, assinadas pelo pediatra e vereador, comprovam que ele trabalhava toda segunda-feira pela manhã, fazendo uma jornada de quatro horas por semana. Para cumprir o contrato, ele deveria prestar atendimento de segunda a sexta-feira. Além disso, a sindicância apontou o baixo número de pacientes atendidos nesses últimos cinco anos: ao todo, 843 crianças, uma média de 14 pacientes por mês.

"Grande parte da população ficou sem ser assistida por falta de cumprimento de carga horária", afirmou o titular da Sesau, Ivandro Fonseca.

Os comprovantes salariais de Siufi Neto mostram que, além do pagamento integral, ele recebia produtividade do Sistema Único de Saúde (SUS) e uma gratificação de quase R$ 1,8 mil para trabalhar em local de difícil acesso. O salário chegava a R$ 4.130.

No distrito de Aguão, a 35 quilômetros de Campo Grande, alguns moradores confirmam a dificuldade de atendimento com a escala de médicos.

Desde julho de 2013, o médico Paulo Siufi Neto está afastado do cargo que ocupava na Sesau. Ele pediu licença por dois anos, sem remuneração, alegando motivos particulares. Para o procurador-geral do Município, Luiz Carlos Santini, são várias as penalidades que podem ser aplicadas em casos como esse.

"Isto resulta em ato de improbidade administrativa, que culminará até na perda de direitos políticos", explicou Santini.

O ex-presidente da Câmara alegou que não era privilegiado com o cargo e que todos os médicos que atendiam naquela unidade de saúde também cumpriam a mesma jornada, atendendo aos pacientes uma vez na semana.

"Eu nunca fui escalado para ir todos os dias, fui escalado só para ir na segunda-feira. Todas as pessoas que por lá passaram tiveram um bom atendimento", garantiu Siufi Neto.

Questionado também sobre a falta de médicos na rede pública de saúde de Campo Grande durante o mesmo período em que trabalhava com uma baixa jornada, o vereador alegou que cumpria o que a gestão municipal determinava.

Fonseca destacou que 10% dos funcionários do setor não cumprem a jornada de trabalho exigida.


Fonte: G1 MS com informações da TV Morena