Justiça suspende despejo de vereadores em Campo Grande - Jornal Correio MS

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20/08/2013

Justiça suspende despejo de vereadores em Campo Grande

Decisão diz que desocupação só pode ocorrer com processo concluído.
Empresa dona do imóvel avalia se irá recorrer....



Câmara Municipal de Campo Grande MS. (Foto: Yarima Mecchi/G1 MS)


O juiz Nélio Stábile, da 1ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos, determinou a suspensão do processo que pede o despejo de vereadores na Câmara de Campo Grande. Decisão anterior dava prazo até outubro para os parlamentares deixarem a sede do legislativo campo-grandense. Com isso, os políticos ganham ao menos até março de 2014 para permanecer no local. A Haddad Engenheiros, dona do imóvel, estuda se irá recorrer.

Na decisão, o magistrado diz que o despejo só pode valer caso o processo esteja transitado em julgado. O procurador do município Valdecir Balbino da Silva disse ao G1 que a prefeitura contesta a ação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e aguarda julgamento.

Segundo ele, o processo estaria transitado em julgado apenas com este julgamento e, a partir disso, um novo prazo de seis meses passaria a contar para que os vereadores deixassem o prédio. Com a decisão, o juiz desconsidera o prazo inicial, que iria até outubro.

"[A decisão] dá uma tranquilidade política para que se busque a melhor solução para o caso. Pela defesa do município, jamais haverá esse despejo", afirmou o procurador.

O magistrado também determinou a execução provisória da sentença pelo valor do aluguel reivindicado pela Haddad Engenheiros (dona do imóvel), mas sem o pagamento. A prefeitura tem 30 dias para contestar a quantia pretendida pela empresa. Conforme Balbino, o município deve questionar os números por meio de embargos.

Apenas a partir do julgamento dos embargos é que seria decidido o valor devido e a definição de um cronograma para pagamento de precatório, explicou o procurador.

O presidente da Câmara, Mário César (PMDB), afirmou que os vereadores precisam de uma decisão sobre a sede. Segundo ele, uma reunião no Ministério Público Estadual (MPE), realizada no dia 15 de agosto, discutiu o assunto. "Deu-se um prazo de 60 dias para que o Executivo apresente uma proposta".

O peemedebista relatou que foi sugerida a construção de um parque administrativo em que estaria contemplada a nova Câmara, no entanto, o projeto prevê conclusão de obras apenas em 2017. Enquanto isso, ainda conforme César, o ideal seria permanecer na atual sede.

André Borges, advogado da Haddad Engenheiros, disse ao G1 que a empresa está analisando a situação para avaliar a possibilidade de entrar com recurso. Segundo ele, a decisão deverá ser tomada no decorrer da semana.

Novela

O local foi construído pela empresa para abrigar o legislativo municipal e o contrato de locação foi firmado em 1º de agosto de 1999, com o valor de R$ 35 mil mensal, e validade de janeiro de 2000 a julho de 2005. O MPE considerou a quantia alta e a contestou judicialmente. A partir do processo, parte do valor passou a ser depositada em juízo.

A ação do MPE chegou ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) que, em 2005, considerou legal o preço do aluguel. A Haddad alega que, após o fim do contrato e decisão do TJ-MS, o município deixou de fazer o depósito judicial e a Câmara de Vereadores não retomou os pagamentos. Isso, segundo ele, motivou o pedido de despejo. A empresa cobra cerca de R$ 11 milhões em aluguéis atrasados.


Fonte: G1 MS
Por: Fabiano Arruda, com informações da TV Morena