Empresa é suspeita de praticar pirâmide financeira
| Empresa não tem aval da Anatel para vender rastreador; diretor diz que vai provar que grupo não pratica pirâmide financeira. (Foto: Reprodução). |
A empresa BBom teve as contas bloqueadas em todo o país por decisão da Justiça Federal de Goiânia (GO), proferida ontem, quarta-feira (10/7), por suspeita de ser uma pirâmide financeira. Com cerca de 300 mil associados, a empresa é a segunda a ter as transações financeiras suspensas por essa razão nas últimas 3 semanas.
Ao todo, foram congelados R$ 300 milhões e a transferência de quase cem carros, dos quais duas Ferraris, um Rolls Royce e quatro Lamborghinis, segundo o procurador da República Helio Telho, um dos responsáveis pela ação.
Os pagamentos aos associados – como são conhecidos os revendedores da BBom – devem ser prejudicados pela medida, afirma Telho.
Em Mato Grosso, a BBom é alvo de investigação do Ministério Público Federal, pelos indícios de se tratar de um esquema de pirâmide financeira - considerado crime no Brasil.
A decisão da Justiça Federal atinge as contas da Embrasystem, que usa os nomes fantasias BBom e Unepxmil, e da BBrasil Organizações e Métodos LTDA, bem como os bens dos sócios proprietários de ambas.
O diretor da BBom, Ednaldo Bispo, afirma não ter tido ainda acesso à decisão, e diz que os pagamentos da empresa aos seus promotores continuam normalmente.
"Eu penso que o nosso modelo [ de negócios ] não foi devidamente esclarecido. E eu até entendo a posição da Justiça. A gente não gosta, mas entende", afirma Bispo. "Vai ser a grande oportunidade de mostrar como [ a empresa ] funciona."
A BBom informa ser o braço da Embrasystem que comercializa produtos e serviços oferecidos pela empresa por meio de marketing multinível – um modelo de varejo que premia os vendedores que atraem outros vendedores para a rede. O principal serviço, segundo Bispo, é o de rastreamento de veículos.
A juíza substituta da 4ª Vara Federal de Goiânia, Luciana Laurenti Gheller, porém, considerou que os pagamentos feitos a cada participante da rede "depende exclusivamente do recrutamento feito por ele de novos associados", de acordo com nota divulgada no site do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A BBom cobra dos revendedores taxas de adesão que variam de R$ 600 a R$ 3 mil.
A juíza também apontou como evidência o fato de que a Embrasystem não tem autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para comercializar os rastreadores de automóveis. O diretor da empresa afirma que os equipamentos são homologados.
"A empresa que presta o serviço de monitoramento não precisa de homologação, mas o equipamento, sim. Nós temos todas as homologações [ do rastreador ] feitas diretamente no fabricante."
O diretor da empresa afirma que o faturamento da BBom é composto da venda de rastreadores e, no longo prazo, dos serviços de monitoramento.
A empresa já tinha se tornado alvo de investigação também do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MP-RN), que anunciou, no último dia 2, a abertura de inquéritos contra seis empresas por suspeita de pirâmide financeira.
Em todo o Brasil, 13 empresas são investigadas atualmente por suspeita de pirâmide, segundo Murilo Moraes e Miranda, presidente da Associaçao do Ministério Público do Consumidor (MPCon) e promotor do Ministério Público de Goiás (MP-GO).
Com um argumento semelhante, no dia 18 de junho a Justiça do Acre suspendeu os pagamentos e bloqueou os bens dos donos da Telexfree , que informa comercializar pacotes de telefone por internet (VoIP, na sigla em inglês).
Os responsáveis também negam irregularidades e entraram com um mandado de segurança contra a decisão que, na última segunda-feira (8), manteve o bloqueio .
Fonte: Redação/ iG