Seleção brasileira é a única tricampeã do torneio - e, no Maracanã, quer o tetra
| O Brasil levanta a taça na Copa das Confederações de 2005: tricampeão do torneio - Bongarts |
A nona edição da Copa das Confederações pode ser considerada a mais forte em toda a história do torneio, que começou como uma competição pequena, com apenas quatro países na disputa, e realizada por vontade do rei saudita Fahd bin Abdul Aziz. Em 2013, quatro campeões mundiais chegaram às semifinais, com o Brasil batendo o Uruguai para enfrentar neste domingo a seleção espanhola, que venceu a Itália nos pênaltis. A seleção brasileira, que já é a líder de conquistas desse torneio (três, em 1997, 2005 e 2009) tem agora a chance de se tornar a primeira tetracampeã da disputa. Em 2013, porém, foi a primeira vez que o Brasil participou da competição sem uma conquista que a credenciasse para o torneio. A Copa das Confederações reúne apenas os atuais campeões continentais, além da equipe vencedora da última Copa do Mundo, e o Brasil só está na disputa por ser o país-sede. Mas o retrospecto é imbatível: em sete participações, o Brasil chegou à decisão cinco vezes – perdendo apenas uma vez, em 1999, para a seleção mexicana, que era a anfitriã. Relembre a seguir as quatro decisões anteriores.
Copa das Confederações: o Brasil nas finais
Os carecas das Arábias
Em 1997 o Brasil participaria pela primeira vez da Copa das Confederações. Nessa edição, a competição adotou seu formato atual, com oito equipes e a chancela de torneio oficial da Fifa. Nessa estreia, o Brasil tinha um time dos sonhos em campo, com Ronaldo e Romário no ápice da forma, comandando o ataque. Essa equipe também ficou conhecida pelo visual único adotado pelos jogadores: todos carecas. Esse ritual gerou mal estar entre alguns jogadores, como o goleiro Rogério Ceni e o meia Leonardo, que não queriam adotar a cabeça raspada – no fim, todos estavam carecas, mas Ceni acabou atraindo certa antipatia no grupo e não foi chamado para o Mundial da França, no ano seguinte. Jogando com equipes como Austrália, Arábia Saudita e México, foi obrigação terminar a primeira fase em primeiro do grupo. Nas semifinais, o Brasil derrotou a República Checa, a então campeã europeia. Venceu por 2 a 0. Na grande final, tivemos a reedição de um confronto da fase de grupos, contra os australianos. Na primeira fase, um surpreendente empate sem gols. Mas na decisão, a ordem natural do futebol foi restaurada. Os gols estavam todos guardados para a final. A dupla Ro-Ro marcou seis vezes e o Brasil levantou a taça pela primeira vez.
BRASIL 6 x 0 AUSTRÁLIA – 21/12/1997
Estádio: Internacional Rei Fahd – Riad, Arábia Saudita
Árbitro: Pirom Anprasert (Tailândia)
Gols: Ronaldo (aos 15, 27 e 59 minutos) e Romário (aos 38, 53 e 75 minutos)
Expulsões: Viduka (aos 24 minutos)
BRASIL: Dida; Cafu, Aldair, Júnior Baiano e Roberto Carlos; Dunga, César Sampaio, Juninho Paulista e Denílson; Ronaldo e Romário; Técnico: Zagallo
AUSTRÁLIA: Bosnich; Horvat (Bingley), Lazaridis, Ivanovic e Zelic; Tobin, Foster, Aurelio Vidmar (Aloisi) e Tony Vidmar (Muscat); Kewell e Viduka; Técnico: Terry Venables
O 12º jogador
Na segunda participação da seleção brasileira da Copa das Confederações, o Brasil chegava como a equipe com as melhores credenciais para a disputa do torneio, realizado no México. Era a atual campeã da América e vice-campeã do mundo – a França, vencedora da Copa de 1998, não participou da competição. O time contava com jogadores jovens, que ganharam suas chances com o técnico Vanderlei Luxemburgo. Nessa Copa se destacaram os habilidosos Ronaldinho Gaúcho e Alex, que defendiam Grêmio e Palmeiras, respectivamente – Ronaldinho, aliás, foi eleito o melhor jogador da competição e empatou com o mexicano Blanco na artilharia. Na estreia, uma goleada de 4 a 0 sobre a Alemanha, que foi eliminada logo na primeira fase. Na semifinal, outra saraivada de gols: 8 a 2 sobre a Arábia Saudita. A grande decisão seria contra os donos da casa, que lotaram os 110.000 lugares do lendário estádio Azteca. O barulho ensurdecedor vindo das arquibancadas estimulou a seleção local, que abriu logo 2 a 0 contra os até então favoritos. O Brasil chegou a diminuir no final do primeiro tempo e até empatou a partida na segunda etapa, mas não tinha jeito. Os mexicanos voltaram a marcar dois gols e o resultado final ficou em 4 a 3.
MÉXICO 4 x 3 BRASIL – 4/8/1999
Estádio: Azteca – Cidade do México, México
Árbitro: Anders Frisk (Suécia)
Gols: Zepeda (aos 13 e aos 51 minutos), Abundis (aos 28 minutos), Serginho (de pênalti, aos 43 minutos), Roni (aos 47 minutos) Blanco (aos 62 minutos) e Zé Roberto (aos 63 minutos)
Expulsões: João Carlos (aos 92 minutos)
BRASIL: Dida; Zé Roberto (Warley), Odvan, João Carlos e Serginho; Flávio Conceição, Emerson, Beto (Roni) e Vampeta; Alex e Ronaldinho; Técnico: Vanderlei Luxemburgo
MÉXICO: Jorge Campos; Suarez, Rafa Marquez, Pardo e Villa; Ramírez, Carmona, Zepeda (Arellano) e Blanco, Palencia (Terrazas) e Abundis; Técnico: Manuel Lapuente
A volta por cima
Depois de campanhas vergonhosas com times de segundo escalão nas edições de 2001 e 2003 – nesta última o Brasil não chegou nem às semifinais –, a seleção brasileira voltou a levar seus melhores jogadores ao torneio, desta vez disputado na Alemanha. A única baixa foi Ronaldo, que pediu dispensa da competição após uma longa temporada pelo Real Madrid. Seria uma ausência considerável não fosse a aparição espetacular de Adriano. O atacante já havia sido decisivo no ano anterior, na final emocionante da Copa América no Peru, com um gol nos últimos minutos contra a Argentina. Mas na Copa das Confederações nem tudo foram flores. Depois de uma vitória de 3 a 0 sobre a Grécia, o Brasil acumulou dois tropeços: uma derrota para o México e um empate com o Japão. Os resultados fizeram com que o cruzamento nas semifinais fosse com os alemães, que jogavam em casa. Mas aí brilhou a estrela do camisa 9 substituto, marcando dois gols na vitória de 3 a 2 sobre os anfitriões. A final foi contra a Argentina, em uma das melhores aparições da seleção brasileira em competições oficiais. Uma goleada de 4 a 1, com direito a show da versão alternativa do quadrado mágico, com Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Robinho e, claro, Adriano.
BRASIL 4 x 1 ARGENTINA – 29/06/2005
Estádio: Commerzbank Arena - Frankfurt, Alemanha
Árbitro: Lubos Michel (Eslováquia)
Gols: Adriano (aos 11 e aos 63 minutos), Kaká (aos 16 minutos), Ronaldinho (aos 47 minutos) e Aimar (aos 65 minutos)
BRASIL: Dida; Cicinho (Maicon), Lucio, Roque Júnior e Gilberto; Emerson, Zé Roberto, Kaká (Renato) e Ronaldinho; Robinho (Juninho Pernambucano) e Adriano; Técnico: Carlos Alberto Parreira
ARGENTINA: Lux; Sorín, Coloccini, Zanetti e Heinze; Cambiasso (Aimar), Placente, Bernardi e Riquelme; Delgado (Galletti) e Figueroa (Tevez); Técnico: José Pekerman
O pico na hora errada
A Copa das Confederações de 2009 seria um momento crucial na trajetória do técnico Dunga a frente da seleção brasileira. Depois de vencer a Copa América de 2007, em uma final contra a Argentina, e de ser facilmente eliminado pelos próprios hermanos nos Jogos Olímpicos de Pequim, no ano seguinte, era a hora da verdade para o comandante brasileiro. Um fracasso poderia ter encerrado precocemente seu comando. A primeira fase foi relativamente tranquila. Apesar de um sufoco contra o Egito na estreia, o Brasil fez dois resultados expressivos na sequência: duas vitórias por 3 a 0, a última delas contra a Itália, eliminando a Azzurra do torneio. Na semifinal, porém, outra partida duríssima, desta vez contra os donos da casa, a África do Sul: 1 a 0, com um gol de falta de Daniel Alves aos 43 minutos do segundo tempo. Todos esperavam uma final contra a Espanha, a atual campeã da Europa e a outra favorita do torneio. Mas os americano pregaram uma peça nos espanhóis e os mandaram de volta pra casa nas semis. O resultado deu uma confiança surpreendente aos americanos, que fizeram um primeiro tempo mágico contra o Brasil, na grande decisão, abrindo dois gols de vantagem. Na segunda etapa, porém, Luís Fabiano foi decisivo, marcando dois gols e empatando o jogo. A virada que garantiu o título veio com uma cabeçada certeira do zagueiro Lucio, capitão daquela seleção. Foi uma prova de força do grupo de Dunga, mas a sorte de campeão infelizmente não acompanhou o treinador no ano seguinte, no Mundial.
BRASIL 3 x 2 ESTADOS UNIDOS – 28/6/2009
Estádio: Ellis Park – Johannesburgo, África do Sul
Árbitro: Martin Hansson (Suécia)
Gols: Dempsey (aos 10 minutos), Donovan (aos 27 minutos), Luís Fabiano (aos 46 e 74 minutos) e Lúcio (aos 84 minutos)
BRASIL: Júlio César; Maicon, Lucio, Luisão e André Santos (Daniel Alves); Gilberto Silva, Felipe Melo, Ramires (Elano) e Kaká; Robinho e Luís Fabiano; Técnico: Dunga
ESTADOS UNIDOS: Howard; Spector, Onyewu, Demerit e Bocanegra; Clark, Feilhaber, Dempsey e Donovan; Altidore e Davies; Técnico: Bob Bradley
Fonte: Veja
Por: Alexandre Salvador, do Rio de Janeiro
Por: Alexandre Salvador, do Rio de Janeiro