O interior sul-mato-grossense começa a chamar a atenção de investidores em shoppings centers. Depois de Dourados, que foi a primeira cidade a receber este tipo de investimento após a Capital, os municípios de Três Lagoas e Maracaju devem receber investimentos que juntos devem somar cerca de R$ 110 milhões. O capital é paulista e chileno.
A mais acelerada economia do Estado, Três Lagoas, tem dois nos planos, os primeiros, mas não sabe se dará conta deles. A agrícola Maracaju também entrou na rota dos centros, que antes só tinham olhos para Campo Grande.
A baixa densidade demográfica afasta os shoppings de cidades com menos de 100 mil habitantes, e os concentra nas capitais. Apenas seis cidades brasileiras abaixo dessa faixa populacional tem um centro de compras.
Quando Campo Grande chegar a seis empreendimentos, no final do ano que vem, MS terá um shopping para cada 349,8 mil habitantes, contando com o de Dourados. Em São Paulo, que terá 145 shoppings até o fim deste ano, a proporção será de um para 284,5 mil.
O tímido avanço ao interior segue uma tendência nacional. Conforme pesquisa do Ibope Inteligência, 27 empresas abrirão as portas em cidades com menos de 600 mil habitantes nos próximos anos. O ritmo será mais intenso entre 2011 e 2014, quando o País contabilizará 96 novos shoppings.
Um deles é o Nações, de Três Lagoas, que começou, neste mês, a fase de terraplanagem. O grupo Vértico, de São Paulo, vai investir cerca de R$ 100 milhões, informa a prefeitura.
A obra será executada pela também paulista W Torre e deve ser concluída em 2013. O centro terá 124 lojas, em 120 mil m², e 900 vagas de estacionamento. Nele trabalharão 1,5 mil durante a obra e outros mil, após a conclusão.
Dois é demais
O grupo BC Genera, do Chile, encomendou estudo à prefeitura para erguer o segundo shopping da cidade, mas o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Marco Garcia de Souza, tem dúvidas sobre o futuro do projeto. No País, a empresa chilena pretende construir um condomínio residencial em Cuiabá (MT). Para o secretário, Três Lagoas, de 103,5 mil habitantes, comporta apenas um centro comercial desse porte.
“Particularmente eu acredito que não é o momento para dois shoppings”, avalia. Ele não ficará surpreso se um dos grupos “abortar o processo”. “Eles fizeram estudos (que mostraram o potencial da cidade), mas não levaram em consideração o concorrente”, afirma Souza. Não há estudo da secretaria sobre o setor que confirme sua análise.
Em geral, apenas cidades com mais de 600 mil habitantes têm mais de um shopping, informa o estudo do Ibope. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita de Três Lagoas é de R$ 17,1 mil, ante R$ 14 mil de Campo Grande.
Ajudinha fiscal
A empresa paulista que pretende investir R$ 10 milhões no primeiro shopping de Maracaju enviou à prefeitura pedido de terreno e redução de Imposto Sobre Serviços (ISS), segundo a secretária de Desenvolvimento da cidade, Iraci Padilha. Ela não soube informar detalhes do projeto. Pelo valor do investimento, trata-se de um shoppiong pequeno, com menos de 14 mil m².
A política fiscal de Maracaju é semelhante à da Capital, voltada à atração de empreendimentos inéditos. Três Lagoas, ao contrário, não oferece vantagens tributárias às empresas de fora do setor industrial, de acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico.
Essencialmente produtora de soja e milho, Maracaju tem PIB per capita de R$ 21,9 mil, informa o IBGE, 56% superior ao de Campo Grande. A população é de 37,4 mil.
Fonte: Correio do Estado