Na nova sede da escola de samba Igrejinha, no alto de uma das paredes já na entrada, as premiações são exibidas, mas ainda falta o troféu de 2011.
Vice campeã do último carnaval em Campo Grande, depois de mais uma apuração com muito bate-boca e contestações, nem a classificação final das escolas do grupo principal foi divulgada, reclama a agremiação.
“Ninguém sabe o que esta acontecendo, mas o certo é que é um absurdo depois de tanto tempo ainda não terem repassado o troféu”, protesta Paulinho, o atual presidente da escola.
A diretoria evita fazer ataques mais duros à Liga das Escolas de Samba de Campo Grande e prefere deixar a cargo da repórter a interpretação.
Em uma noite de samba, programada para arrecadar dinheiro para a estruturação da nova sede, o presidente pede “pelo menos” uma satisfação. “As coisas não podem ser desorganizadas dessa forma, o carnaval tem de ser profissional, senão nunca vai dar certo. O Carnaval é feito em detalhes”, diz o presidente Paulo Thomaz, o Paulinho.
O vice é o japonês Luis Katsuren, o Kat, arquiteto. Ele entrou na escola ao participar da festa em 2008, com a tarefa de estruturar os carros alegóricos para o enredo Centenário da Imigração Japonesa, e 2 anos depois passou a integrar a diretoria.
Mais contido, Kat concorda com o presidente, mas prefere indicar como a Igrejinha pretende dar o exemplo as outras agremiações para fortalecer as escolas e aumentar o número de pessoas envolvidas na festa.
“Vamos estruturar a sede para projetos sociais, com aulas de capoeira, música, confecção e outras atividades que tragam a comunidade para cá”, explica. As áreas escolhidas têm relação com as necessidades da escola, como a confecção de fantasias e a formação de percussionistas para a bateria.
O prédio na 14 de Julho é alugado, como todas as outras sedes, sempre na mesma rua onde a escola foi criada em 1975 pelos ferroviários.
Sobre a vocação de Campo Grande para o carnaval, os diretores lembram do sangue brasileiro e dizem que a Capital está para Corumbá – maior carnaval de Mato Grosso do Sul, como São Paulo está para o Rio de Janeiro. “Eles (paulistas) foram crescendo e hoje tem qualidade que não deixa nada a desejar”, avalia Paulinho.
A Igrejinha não vence desde 2008, mas ao longo dos 36 anos de existência teve 20 conquistas.
| Zé Carlos, presidente da Vila Carvalho, diz que neste mês espera que problema seja resolvido. |
Neste ano, a escola ameaçou, mas decidiu não contestar o resultado do Carnaval, que deu o terceiro título consecutivo para Vila Carvalho. A maior reclamação foi de que na sinopse apresentada pela Carvalho havia uma ala com o nome “Amor ao meu time” com 50 componentes, com uma fantasia de luxo durante os desfiles, porém os dois itens não foram cumpridos. O resultado foi bem equilibrado, elas estavam empatadas, mas a Igrejinha perdeu por 2,5 pontos do quesito fantasia.
Já a Liga das Escolas alegou que no regulamento não estipula nenhuma punição para quem não cumpre a sinopse.
Os diretores da Vila Carvalho também não receberam até agora o troféu de campeã de 2011, mas têm um tom bem mais amistoso em relação ao problema. Segundo o presidente Luis Carlos, ainda neste mês os troféus devem ser entregues, conforme declarações da Lienca.
O Lado B tenta desde a última terça-feira falar com membros da Liga, mas sem sucesso.
Fonte: campograndenews/ladoB
Por: Ângela Kempfer
Foto: João Garrigó